O Estresse em Professores: revisão de literatura

Izanete de Medeiros Costa, Ricardo José Matos Carvalho

Resumo


O estresse ocupacional é um problema cada vez mais frequente nos locais de trabalho. No âmbito do ensino o estresse atinge principalmente os professores, provocando diminuição de desempenho e da qualidade do ensino. A ergonomia apresenta-se como uma abordagem científica que pode ajudar na gestão do estresse de maneira eficaz uma vez que permite conhecer o trabalho real dos professores e seu contexto. Este artigo tem por objetivo fazer uma revisão de literatura dos estudos que abordam o estresse em professores. A metodologia utilizada foi a pesquisa bibliográfica, acessando as bases de dados Web of Science, SCOPUS (Elsevier), Emerald e Sience Direct, que estão disponíveis no Portal de Periódicos Capes, inserindo as palavras-chave “teacher” e “stress”. Após a análise dos dois mil quinhentos e sessenta artigos identificados nas referidas bases de dados, contatou-se que apenas setenta e cinco tratavam do tema em questão. Estes artigos foram analisados com base nos seguintes parâmetros: ano de publicação, país, área de conhecimento, abordagem qualitativa e quantitativa, método de coleta de dados, nível de ensino dos professores pesquisados e perspectiva dos estudos (organização ou indivíduo). Os resultados demonstraram que os artigos selecionados foram publicados entre os anos de 1982 a 2013. 32,48% dos artigos resutaram de estudos desenvolvidos nos Estados Unidos; 9,10% na Austrália; 6,50% no Reino Unido; 6,50% na Alemanha; 5,20% no Canadá, 3,90% em Singapura; 2,74% dos estudos foram desenvolvidos em cada um dos seguintes países: Holanda, Hong Kong, Irã, Áustria, Luxemburgo, Finlândia, Suécia, China, Escócia e Inglaterra; 1,29% foram desenvolvidos em cada um dos países a seguir: Portugal, África do Sul, Irlanda do Norte, Itália, Camarões, Zimbábue, Brasil e Romênia. 41,34% dos artigos estão concentrados na área de Psicologia; 31,01% na área de educação; 4% na área de Procedência Social e Ciências Comportamentais. 2,67% dos artigos estão reunidos em cada uma das seguintes áreas: Saúde ocupacional, Administração, Psiquiatria e Educação Especial. As áreas de Biologia, Educação e Tecnologia, Neurociência, Enfermagem, Criminologia, Ciências Sociais e Medicina, Personalidade e Diferenças Pessoais, Saúde Pública e Pesquisa sobre Infância concentram 1,33% dos artigos, cada uma. 50% dos artigos apresentam abordagem qualitativa, 33,33% abordagem quantitativa e 16,67%  abordagem qualitativa e quantitativa. Com relação aos métodos de coleta de dados 60,80% dos estudos realizaram pesquisa de Campo baseada na aplicação de questionários para identificar características sócio-profissionais, e outros instrumentos para medir estresse; 8,12% realizaram pesquisas de campo utilizando questionários e entrevistas na coleta de dados;  5,4% realizaram pesquisa de campo por meio de observação, filmagens, entrevistas, autoconfrontação entre outros métodos; 2,70% dos estudos consistiram em pesquisa de campo com a aplicação de questionários e realização de observações e entrevistas; 1,35% realizaram pesquisas de campo utilizando questionários e métodos observacionais; 1,35% dos estudos consistiram na adaptação de um instrumento de pesquisa de um país para outro; 1,35% utilizou o método da pesquisa documental solicitando que os participantes registrassem suas atividades cotidianas em um diário; 6,76% dos artigos relataram a elaboração de instrumento de pesquisa sobre estresse; 10,82% realizaram pesquisas-ação para desenvolver ou testar programas de gestão do estresse e 1,35% realizou pesquisas bibliográficas. 19,44% dos artigos teve como sujeitos de pesquisa professores de Ensino Médio; 16,65% professores de Ensino Fundamental; 13,89% professores de Ensino Fundamental e Médio; 5,55% professores de Universidades; 4,17% professores de diversos níveis de ensino; Professores de Escolas Públicas, Professores de Ensino Profissional, Professores de Educação Infantil e Professores de Educação Especial representaram, cada um, 2,78%; Professores de Ciências, Educação Física, Professores de Escolas Femininas, Professor de Enfermagem, Professores Urbanos e Rurais, Professores de Alunos com Deficiência e de Alunos sem Deficiência, Professores de Escolas Rurais, Professores e Policiais e Professores de Escolas Públicos e Privadas representaram, cada um, 1,39%. 66,67% dos estudos apresentados pelos artigos abordam o estresse em professores na perspectiva do indivíduo, enquanto 33,33% abordam o tema na perspectiva da organização do trabalho.


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