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Psicodinâmica do Trabalho?

Conheça um pouco sobre a contribuição da Psicodinâmica do Trabalho para a sua atuação profissional como Ergonomista!


A psicodinâmica do trabalho visa evidenciar aspectos psíquicos que são mobilizados no trabalho desenvolvido pelas pessoas. Há evidências claras que o trabalho jamais é neutro com relação à saúde das pessoas, mais especificamente com relação à saúde mental. Dependendo de como o trabalho é organizado e do seu conteúdo, ele poderá promover o desenvolvimento da subjetividade, através de processos de identificação com aquilo que se faz e da realização de si, sempre em relação com outros. O trabalho pode dar sentido a parte significativa da vida. Em suma, trata-se de um elemento central na construção da saúde. Por outro lado, ele pode ser um fator considerável de geração de sofrimento patogênico, favorecendo o desenvolvimento de defesas individuais e coletivas, que serviriam como uma espécie de anestesia contra este tipo de sofrimento. Todavia, as defesas não são só favoráveis, elas podem favorecer os processos de alienação tanto com relação àquilo que ocorre no mundo do trabalho como em relação aos desejos dos sujeitos. Como as defesas não são sempre eficazes, há sempre o risco de serem rompidas, favorecendo o aparecimento de distúrbios psíquicos e, também, físicos. A luta pela saúde psíquica é uma constante nas nossas vidas e o papel do trabalho é central nesses processos.

Em se tratando de uma dinâmica na qual a perspectiva do indivíduo e da sua subjetividade se insere de modo indissociável nas diferentes relações construídas no convívio com os outros, em diferentes coletivos, seja no trabalho, na família, na vida associativa, coloca-se aqui a questão de que, em todas as relações, o lugar do trabalho de produção seja singular e central.

Assim, no trabalhar, entendido como espaço de confronto dos sujeitos entre o real das situações de trabalho e seu mundo subjetivo, as pessoas se põem à prova. Esse confronto pode ter, a depender de como o trabalho é organizado, um enorme potencial de desenvolvimento das pessoas, de sua identidade e do próprio trabalho, incluindo as organizações e a própria sociedade. Isso ocorre quando as relações inerentes a essa dinâmica não estão bloqueadas, e os processos comunicacionais, de reconhecimento e de cooperação estão preservados. Estaríamos então, adotando uma perspectiva de que os sujeitos, a partir do seu trabalho e de uma maior apropriação das dinâmicas envolvidas nele, podem trilhar um caminho que aponte para um processo emancipatório, no qual seja possível apontar para uma saída do registro da alienação, favorecendo a construção de mudanças nas modalidades do trabalhar e das organizações.


Laerte Sznelwar

Coordenador do GT Psicodinâmica do Trabalho

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