A PERPETUAÇÃO DO SABER-FAZER INDEPENDENTE DAS REGRAS FORMAIS: O CASO DA OURIVESARIA BRASILEIRA

Lorena Oliveira, Raoni Rocha

Resumo


Aprender um ofício e desempenhá-lo com qualidade significa seguir regras e passar por treinamentos formais? Alguns autores defendem que sim, mostrando que a regra ocupa um local central na aprendizagem humana no trabalho e que, para isso, treinamentos devem ser realizados aos novatos para que, posteriormente, os conhecimentos possam ser aplicados no campo. Por outro lado, diversos trabalhos mostram que o saber-fazer é adquirido, sobretudo, de forma tácita, fundada na experiência e independente das regras formais existentes na organização. Esse artigo defende esse último ponto de vista. Por meio de uma revisão bibliográfica sobre o assunto, este trabalho buscará ilustrar um exemplo prático, o da ourivesaria brasileira, que, apesar de ser um ofício muito antigo e de exigir uma alta habilidade técnica para a sua execução, se perpetuou na nossa sociedade sem nenhum tipo de regra direcionada à operacionalização das suas atividades. Concluímos com o fato de que o saber-fazer é constituído socialmente, por intermédio da interação e da experiência dos membros de um mesmo grupo social, sem que as regras formais tenham qualquer tipo de influência sobre esse processo.

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