ACIDENTES AÉREOS OCORRIDOS NO BRASIL NO PERÍODO 2007-2012: ANÁLISE PRELIMINAR DO FATOR CONTRIBUINTE MAIS INCIDENTE.

Selma Leal de Oliveira Ribeiro, Flavio Andres Moreno, Pablo Viégas

Resumo


Muito se tem investido em melhorias tecnológicas e treinamento profissional para aqueles que de alguma forma estão envolvidos na atividade aérea. Entretanto, o que se tem observado, apesar de todos esses esforços, é que os acidentes continuam a ocorrer e, no Brasil, o fator contribuinte "Julgamento de Pilotagem" vem se apresentando como o mais evidente já há algum tempo. O objetivo do presente artigo é identificar características mais específicas dos acidentes aéreos ocorridos no Brasil, no período de 2007 a 2012, que tiveram "Julgamento de Pilotagem" como fator contribuinte, na tentativa de se obter uma compreensão mais detalhada dos eventos. O estudo, de base descritiva e documental, focou na análise dos relatórios  finais (RF) emitidos pelo Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), disponibilizados eletronicamente no sítio web. As principais informações coletadas em cada relatório foram dispostas em uma planilha e as descrições de "Julgamento de Pilotagem", principal fator contribuinte indicado em 54,1% das investigações, foram analisadas e aplicadas a classificação sugerida pela Federal Aviation Administration. Como resultado, 37,1% das ocorrências apontaram para aspectos do julgamento relacionados com o subfator “Aeronave". Além disso, foi identificado também que 31,8% destes acidentes envolveram pilotos com menos de 2.000 horas de experiência de voo, que segundo o detalhamento dos RF, apresentaram falhas relativas a uma adequada compreensão de aspectos relacionados à aeronave por eles conduzida, denotando um possível desconhecimento ou esquecimento de parâmetros necessários para um voo seguro. A partir da análise realizada, pode-se concluir que há uma necessidade de se compreender melhor o contexto operacional nos quais os acidentes ocorrem, na tentativa de identificar restrições ou pressões que os operadores estavam sujeitos naqueles cenários que puderam contribuir para que suas ações conduzissem aos acidentes. Uma abordagem sistêmica que identifique os modos operatórios em situações consideradas normais poderá elucidar como os operadores lidam com as adversidades do dia a dia e que não se constituem em eventos indesejáveis.

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